sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Sem a minha verdade aqui, esse blog não faria o menor sentido

Olá, já faz tempo que não posto nada tão íntimo e particular aqui no blog, quem me acompanha a mais tempo e tem boa memória deve se lembrar que em Fevereiro de 2014 fiz um post contando os motivos que me levaram criar esse blog, que era basicamente tornar a informação de moda acessível para todos os meus leitores, quebrar tabus de preços, estereótipos, e supervalorização das marcas... Você entenderá melhor o lendo, ou re-lendo se for o caso: http://bit.ly/2ezKpbN


O meu pensamento inicial não era ter seguidores, não era ter parcerias, não era ter que correr atrás para estar nos eventos, era só ter um blog para compartilhar meus conhecimentos, curiosidades, era fornecer conteúdo, e se tivesse cinco pessoas lendo, o esforço já teria valido a pena. Porém perdi o foco convivendo com outras pessoas. Inconscientemente minha visão do que era sucesso foi destorcida, eu passei achar que sucesso era ter muitos seguidores, muitos likes, muitas parcerias, estar nos melhores eventos, eu esqueci que o sucesso para mim sempre foi ser feliz com o que faz, é ser leve, fazer por prazer, estar seguro de quem você é. Eu entrei em um universo competitivo por causa de um prêmio que eu nunca quis, por que todos ao meu redor queriam aquele prêmio. Eu achei que esse fosse o caminho certo, fui cruel comigo mesmo, perdi minha auto-confiança em alguns momentos, mesmo sabendo o quão pouco honesto a maioria dos números são, quase sempre vindos de aplicativos e sites de venda, cuja os quais também me rendi. 

Tudo é uma reprodução de comportamento, eu demorei ver isso, mas finalmente me toquei que estes não são comportamentos autênticos e naturais da gente. Onde foi que aprendemos que temos que tirar fotos de um look todo, focar em detalhes como sapatos, relógios... tirar foto de um prato de comida em um restaurante, não olhar para câmera para a foto ter uma naturalidade maior em um momento totalmente programado para compor o feed do Instagram, segurar um produto e dar o enquadramento perfeito, onde foi que aprendemos tudo isso? Essas noções não vieram da gente, são reproduções de comportamentos, e a gente faz de forma inconsciente, achando que é original, que é autêntico, mas não somos, nenhum de nós. Fortalecemos um padrão, um padrão imposto por pessoas que estão a cima da gente, que não tem a nossa vida. Por mais emponderado que seja o seu discurso, por mais que haja seu estilo ali, você tem que reconhecer que o que é mostrado de você nas redes sociais, não é quem você realmente é, é você editado sob influência das suas inspirações - grandes influenciadores, que foram influenciados por grandes marcas. Se o que eu falo aqui não fizesse o menor sentido, não estaríamos todos tão engessados no mesmo formato de postagens. 

Não escrevo nada disso aqui querendo alfinetar alguém, não é um shade, é mais uma reflexão a ser feita, um ato libertador para mim. Vejo garotos de 18 anos que querem ser igual a mim, meninos frágeis, sonhadores, cuja a identidade não foi formada ainda, consumidores comuns que acham que eu não sou um consumidor comum. Há blogueiros com visibilidade maior do que a minha agora, que quando começaram me falaram que queriam ser como eu - mesmo que hoje a competitividade e o deslumbre do meio tenham feito essas pessoas me odiarem de graça, pela ambição de um espaço que eu não ambiciono. Ouvi de amigos meus que existem amigos deles que acham que eu não frequento lugares mais simples, que eu estou sempre com um look pronto para o Instagram, e se sentem receosos de sair comigo por isso. Muitas pessoas se assustariam ao ver como vou para faculdade, muitas vezes de touca para esconder meu cabelo bagunçado, de chinelos, com as olheiras que a maquiagem e os programas de edição não mostram no meu feed, muitas pessoas ficariam surpresas em me encontrar em um terminal, dentro de um ônibus. Conheço muita gente que não tem carro, que pega ônibus diariamente,  e não temos indícios disso em suas redes sociais. 

Saber que eu sou admirado por algo que eu realmente não sou me fez querer ser essa pessoa que os outros enxergam, enquanto eu não deveria querer ser ninguém além de quem eu realmente sou. Foram inúmeras as vezes que pensei em parar de escrever aqui, excluir o blog, eu achava que o problema era ser blogueiro, mas não, o erro foi querer ser influenciador, sob influência de pessoas influenciadas por influenciadores de notoriedade nacional, internacional ou até mesmo mundial. Muitos dirão que sou uma pessoa amarga e frustrada por estar escrevendo este textão, mas eu nunca me senti tão honesto, aberto, livre, bem resolvido e sucedido comigo mesmo em uma postagem. Você leitor goiano que quer se vestir como eu, não queira, só eu sei o calor que eu passo dentro dessas roupas, e o quanto o clima estava abafado quando fiz minhas melhores fotos - o sol ajuda na iluminação, e a gente encara mesmo o desconforto do clima para conseguir um bom click - eu raramente me visto assim. Você que tem receio de me convidar para um bar de esquina, uma feirinha a noite, um show 0800 na rua, perca esse receio, eu não sou rico e não frequento lugares exclusivos para classe A. Se por um acaso me encontrarem dentro de um ônibus, não fiquem tão inseguros, achando que não pode ser eu, que é só um garoto parecido comigo, pode ser que seja eu sim. 

Você pode estar se perguntando - "Nossa, e agora teremos um novo Reberth? As fotos vão mudar? Ele vai deixar de escrever?" A resposta é não. Eu estou acomodado ao padrão, viciado no sistema, e apaixonado pela estética do meu Instagram. Eu ainda penso em cada foto, seleciono cenários, reproduzo poses, elaboro looks, fico desconfortável algumas vezes até chegar ao resultado que eu quero... Mas eu queria e não poderia deixar de expor que apesar de amar um esquema de feed, um feed não me define, não conta a minha vida, não diz nada sobre a minha realidade, só são fotos elaboradas que eu gosto de postar, e isso qualquer pessoa pode fazer tendo um olhar mais observador sobre angulo, cenário, iluminação e montagem de looks. Ter esse espaço aqui e não ser honesto com vocês, não poder me abrir, não faria o menor sentido. As três postagens dessa semana, contando com essa, mostram como realmente tem funcionado esse universo que muitos almejam fazer parte, quem realmente somos, como o trabalho acontece, qual é a influência real que temos e a que não temos e transparecemos ter. Espero encontra-los na segunda-feira para mais uma postagem sobre algum produto que eu realmente recomendo, ou algum assunto que de fato eu ache interessante de ser compartilhado - eu só posto aquilo que eu realmente quero, estejam seguros disso, as minhas opiniões não são compradas. E quando recebo algum produto, eu só falo sobre ele se eu realmente tiver testado, gostado e de fato estiver usando. 

Com isso concluo essa tríade de postagens com a seguinte mensagem - Seja feliz e seguro com você mesmo, com seus gostos, com as tuas qualidades e defeitos, com a sua sabedoria e tua ignorância, seja confortável com você mesmo, seja gordo, magro, malhado, alto ou baixo, com um look ZARA, Riachuelo ou Armani, com 5.000 likes ou 10 em suas fotos, com 100K seguidores ou 80 no Instagram. Ter informação de moda é importante, assim como ter dinheiro é importante, mas jamais deixe que a moda e o dinheiro sobressaiam quem você é. 

Eu amo vocês, por serem como eu, por se serem seguros e inseguros, por se identificarem comigo como eu me identifico com muitos de vocês, por me acompanharem por livre e espontânea vontade, por essa troca de graça de boas energias que rola entre a gente. Se não houvesse alguém para ler, eu não teria para quem escrever, eu sou muito grato a isso. Um super beijo do Fiorezzo e até semana que vem. 

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