Amazônia registra menor nível de alertas de desmatamento desde 2015

A Amazônia registrou em 2026 um resultado histórico no combate ao desmatamento. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o período entre agosto de 2025 e julho de 2026 apresentou o menor nível de alertas de desmatamento desde o início da série histórica do sistema Deter, em 2015.

Ao todo, foram registrados 2.874,38 km² sob alerta de desmatamento na Amazônia, uma redução de aproximadamente 36% em comparação com o ciclo anterior, quando os alertas alcançaram cerca de 4.495 km². O resultado também representa uma queda de 55,6% em relação à média dos dez ciclos anteriores.

A tendência de redução já vinha sendo observada ao longo de 2026. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, por exemplo, os alertas haviam caído 37,5% em relação ao mesmo período anterior. No primeiro semestre de 2026, foram identificados 1.295 km² sob alerta, o menor resultado para os primeiros seis meses do ano desde o início da série do Deter.

Um resultado histórico, mas com uma ressalva

Apesar dos números positivos, existe uma diferença importante entre alertas de desmatamento e a taxa oficial de desmatamento da Amazônia. O Deter é um sistema de monitoramento que utiliza imagens de satélite para identificar rapidamente alterações na cobertura vegetal e auxiliar as ações de fiscalização. Já o Prodes, também desenvolvido pelo INPE, é responsável pelo cálculo oficial anual do desmatamento por corte raso.

Por isso, dizer que 2026 teve o “menor desmatamento da Amazônia desde 2015” pode ser impreciso. O que os dados disponíveis permitem afirmar é que 2026 registrou o menor nível de alertas de desmatamento da série histórica do Deter.

A taxa anual oficial calculada pelo Prodes possui um calendário próprio. O dado mais recente consolidado, referente a 2025, apontou 5.731 km² de desmatamento na Amazônia Legal, o menor índice registrado em 11 anos.

O que os números mostram?

A queda observada nos alertas representa um sinal importante para a conservação da floresta e para as políticas de fiscalização ambiental. Embora os alertas não correspondam diretamente à taxa anual oficial de desmatamento, a redução indica uma diminuição significativa das áreas identificadas pelo sistema como possíveis focos de destruição da vegetação.

O resultado também chama atenção porque ocorre após anos de índices elevados de desmatamento na região. A evolução dos dados deverá continuar sendo acompanhada pelo INPE, especialmente quando os próximos números consolidados do Prodes forem divulgados.

Por enquanto, portanto, a informação mais precisa é esta: a Amazônia teve, em 2026, o menor volume de alertas de desmatamento registrado pelo Deter desde 2015. É um dado bastante relevante, mas que precisa ser interpretado dentro das diferenças entre os sistemas de monitoramento utilizados pelo INPE.

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